terça-feira, 12 de outubro de 2010

Un dolce far niente...


O prazer em não fazer nada...


A passagem de Vinicius de Moraes pela Bahia nós podemos resumir como a sua passagem em Itapoã, porque aonde realmente ele sentiu uma Bahia, mas uma mais morna, mais cheia de encanto, uma Bahia cercada de uma paisagem muito bonita. 

E esta sua passagem por Itapoã marcou porque nós nos reuníamos aqui, eu no meu ateliê, que era perto da casa dele, então, a todas as manhas nós conversamos até o fim do dia. Mas conversávamos sobre o quê? Sobre a coisa que a vida tem de boa, as coisas amenas; então, não queríamos mudar nada, queríamos aceitar a vida como ela era, gostosa, morna, engraçada. Então, a nossa conversa era sobre como a gente podia ver um dia em Itapoã. Era do nascer do sol ao morrer do sol, às vezes sem fazer absolutamente nada; que chega um tempo que você descobre que o bom é não fazer nada, é ver o dia passar. No dia que você consegue como nós conseguimos, eu e Vinicius, conversando sobre amenidades, ver o dia passar, da manhã atéééééééééé o sol se pôr, é quando você realmente está tranquilo, aonde você não é neurótico, onde as coisas estão muito mais presas no seu íntimo. Então, era isso a nossa vida aqui em Itapoã com Vinicius de Moraes.


transcrição do Depoimento de Calazans Netto sobre Vinicius de Moraes

sábado, 9 de outubro de 2010

Sanduba (ou não) de shiitake e pasta de feijão branco



Essa receita é de preparação extremamente rápida e absolutamente surpreendente; a pasta de feijão branco tem textura semelhante a do homus, mas com um sabor mais suave, que harmoniza perfeitamente com os delicados cogumelos.

Servi um pão de forma caseiro integral como acompanhamnto, que combinou de uma forma incrível com a pasta de feijões brancos, mas que escondeu um pouco o cogumelo; por isso sugiro um pão branco mais neutro.

Além disso, substitui a rúcula baby, pedida na receita como sobreposição ao cogumelo, por tomilho fresco; a combinação ficou boa, mas depois provamos com cebolinha francesa, mais suave e delicada, e ficou esplêndido!

Ah, para quem interessar possa, esse lindo prato é vegano, e torna-se gluten free se o shiitake for servido como base para a pasta!



Shiitake e pasta de feijão branco
adaptado daqui
Rendimento: 2 porções

- 8 cogumelos shiitake pequenos - a receita original pedia portobello;
- 1/2 xícara de feijões brancos já cozidos - a receita usava em conserva (lata);
- 1 dente de alho;
- 3 colheres (sopa) de azeite;
- água e
- sal.

- acompanhamentos: pão branco  e cebolinha francesa ou rúcula nova (folhas pequenas)


1. Processe os feijões com o alho e o azeite, acrescentando um pouquinho de água, aos poucos, de colher em colher, até conseguir uma textura de pasta. Tempere com sal e reserve.

2. Aqueça uma frigideira em fogo alto; adicione um fio de azeite e frite os cogumelos por dois minutos, de cada lado.

3. Se for servir com pão, aqueça-o na frigideira, dos dois lados, e sirva a pasta e o cogumelo sobre ele, acompanhados de cebolinha francesa ou de rúcula.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Maravilhosas berinjelas à moda da casa


Berinjela, alho, orégano, azeite, molho de tomate e queijo, tudo isso em proporções generosas produzem um prato muito saboroso, que sempre agrada aos comensais, até mesmo aos que dizem não gostar de alho, e olha que nessa receita ele é a estrela!

Queria ter postado essa receita há muito tempo, mas não conseguia me organizar a ponto de anotar a quantidade de cada ingrediente; na verdade, odeio fazer isso, prefiro me inspirar em uma receita, ter uma noção das proporções de cada ingrediente e prepará-la da forma que preferir; até porque, um dia você tem uma berinjela maior, noutro o alho está pequeno, e por ai vai,  mas sei que tem pessoas que não gostam de cozinhar assim, por isso fiz uma forcinha.. Quando preparo essa receita sempre tenho em mente que devo produzir uma porção generosa de pasta de alho, orégano e azeite, que  deverá cobrir toda a superfície das rodelas de berinjela; pode parecer muito alho à primeira vista, mas é o que torna a receita tão maravilhosa! Após, levo-as ao forno até que fiquem bem tostadinhas, tiro-as de lá, cubro-as com molho de tomate bem denso, queijo e devolvo-as ao forno para gratinar. É tão boa, mas tão boa, que me sinto mais tranquila por dividir essa receita; façam e me digam o que acharam...  ;)





Berinjelas à moda da casa
rendimento: 2 porções bem servidas

- 2 berinjelas pequenas;
- 7 dentes de alho - parece muito, mas vá com fé!;
- 1 ½ colher (sopa) de orégano seco;
- 3 colheres (sopa) de azeite de oliva;
- 180g de molho de tomate* e
- queijo suficiente para cobrir as rodelas - usei o gouda, mas você pode usar o maasdam, a mussarela ou outro queijo amarelo macio.

1. Pré-aqueça o forno à temperatura alta.

2. Esprema os dentes de alho, adicione o orégano e o azeite formando uma pasta. Corte as berinjelas em rodelas de 2,5cm de altura e disponha-as em uma assadeira; cubra cada uma com a pasta de alho e leve a assadeira ao forno, diminuindo a sua temperatura para média, até que as berinjelas desidratem, escureçam e fiquem com a superfície bem tostadinha, sem deixar o alho queimar. Não tenha pressa tampouco medo de deixá-las no forno; o fogo é o melhor amigo das berinjelas!

3. Retire-as do forno, mas não o desligue. Cubra, generosamente, cada rodela com molho de tomate e disponha o queijo sobre este da forma que desejar. Retorne a assadeira ao forno até que o queijo gratine. Sirva, e não se engane com a grande quantidade pensando que renderá horrores, pois essas lindas medalhas desaparecerão em poucos minutos...

* o molho de tomate tem de estar mais concentrado para poder ser colocado de colher e espalhado sobre a berinjela; se estiver fluido irá escorrer pelas laterais e cobrir o fundo da assadeira. Para tanto, quando for prepará-lo, deixe-o apurar por algumas horas no fogo baixo. Aqui em casa eu costumo fazer assim e congelá-lo em pequenos potes; quando quero um molho mais fluido para uma massa apenas adiciono uma concha da água do cozimento do macarrão e ele fica perfeito!

** a cerveja da foto é a holandesa Amstel Pulse; muito fraquinha para o nosso gosto...



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Tomates recheados com camarão e "Eleições 2010": we will survive!!!


Depois de resmungar e de brindar, segunda-feira pós-eleição é um momento de análise e ponderação; não tem como fugir, em casa ou fora dela você acabará dando a sua opinião sobre o ocorrido. Para os que ainda não leram, indico um texto escrito ontem à noite pela Miriam Leitão; concisa e profunda é uma leitura deliciosa e necessária. Quem quiser mais um pouco, tem  outro texto escrito por ela exatamente antes do pleito.

Antes de tratar da comida, para os que estão desesperados indico esse vídeo irresistível, que levanta qualquer moral! 

 
Tomates recheados com camarão
Rendimento: 2 porções

- 6 tomates pequenos;
- 12 camarões médios;
- sal, pimenta do reino moída na hora e azeite para temperar.

1. Pré-aqueça o forno em temperatura alta.

2. Ferva uma boa quantidade de água. Faça um superficial "x" com a faca na parte inferior dos tomates e mergulhe-os na panela com água fervendo até que a pele solte; é um processo rápido, do contrário o tomate começará a cozinhar e não ficará tão firme quanto necessário. Assim que saírem, péle-os e corte as  suas "tampinhas", reservando-as. Com cuidado, retire o seu interior, mantendo o fundo e a lateral intactos, para que fiquem como uma cumbuca para os camarões. Tempere a parte interior de cada tomate com azeite, sal e pimenta do reino, disponha todos em uma assadeira e reserve-os.

3. Tempere os camarões com sal e coloque-os dentro dos tomates, em pares. Tampe os tomates  recheados com as respectivas "tampinhas" e leve a assadeira ao forno por um ou dois minutos, para que o camarão mude de cor e o tomate fique quente novamente. Já no prato, regue-os com um fio de azeite e adicione alguma erva fresca, se preferir.

Capiririnha de limão galego para esta mesária, por favor...



No sábado à noite resmungava por ter de acordar cedo no domingo, deixar a Cherry sozinha e não poder fazer nada do que já havia planejado, mas no final das contas acabou não sendo tão ruim assim...

Tenho de admitir que esta é, de fato, uma organização brasileira excepcional, invejada pelo mundo todo; não sei se vocês ouviram, mas além de já termos "emprestado" as nossas urnas para países da América do Sul, 150 observadores representando 36 países, entre eles França, Itália, China e Rússia estiverem aqui para acompanhar a nossa eleição de perto.

Sem mencionar uma senhora de noventa e tantos anos, nervosa, "com o coração batendo forte", que consegue votar com a sua ajuda e paciência, e se sente tão bem que pede para te dar um abraço; ai não dá mesmo para dizer que não tenha me sentido bem por estar lá. E não apenas esta, mas tantos, tantos senhores de oitenta, noventa anos, que diferentemente da minha geração, sabem o enorme valor que tem esse "exercício de cidadania", e fazem questão de exercê-lo com um sorriso no rosto!

É claro que tem os mal humorados e mal educados, e nesses momentos você tem de manter a calma e ser firme, mas também têm aqueles que trazem docinhos para os mesários, e os agradecem pelo grande trabalho que estão fazendo.

Não vou adentrar no mérito do resultado da votação, por mais atordoador que ele me pareça, tampouco discutirei se é cabível o tema "exercício da democracia" em um país tão corrupto, onde não há educação, e que elege o palhaço Tiririca com mais de 1,3 milhão de votos.... Nesse post não; aqui, de amargo basta o limão!   ;)



Capirinha de limão galegoPara quem se interessar, a Neide Rigo tem um post ótimo sobre esse limão, e veio de lá a sugestão de usá-lo na caipirinha.


- 1
-->½ limão galego (3/4 se for o tahiti);
- 1
-->½ colher (sopa) de açúcar cristal orgânico - o cristal é o melhor tipo para caipirinha!;-  4 pedras de gelo pequenas (ou 2 grandes) e
- 1 dose (50ml) de cachaça*.

Tire as extremidades (tampinhas) dos limões, corte-os ao meio e apare o miolo, retirando a parte branca e as sementes. Coloque os limões no copo em que a caipirinha será servida, adicione açúcar e macere até que 80% do seu suco tenha sido extraído. Segure o gelo na palma da mão e, com cuidado, quebre-o ligeiramente usando um movimento firme com o socador. Adicione o gelo e a cachaça, emborque a parte inferior de uma coqueteleira sobre o copo, segure ambos de forma firme e sacuda-os por aproximadamente 10 segundos, até sentir que a coqueteleira está gelada. Volte o copo para a posição original, retire a coqueteleira, finalize com um canudinho, um guardanapo e sirva-a.

O Ebraim conseguiu montar um sistema muito prático, usado na maioria das festas atuais, que consiste em misturar os ingredientes não em uma coqueteleira, mas no próprio copo em que a caipirinha será servida, com metade da coqueteleira encaixada nele. Isso otimiza muito o trabalho, pois você pode montar os copos, macerar e bater todos em sequência, agilizando o serviço para que as pessoas possam beber juntas!

* para uma boa caipirinha, invista em uma boa cachaça, o que não significa, necessariamente, comprar a mais cara da loja...

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