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segunda-feira, 29 de março de 2010

Sagu de uva [de verdade!!!] da tia Carlota



Minha bisavó Amélia, além de excelente dentista era uma cozinheira de mão cheia e deixou seu legado para a tia Carlota, sua filha. Digo isso porque desde pequena como muitos pratos que ela faz, mas nenhum marcou tanto quanto o sagu; ele sempre era devorado por todos de uma forma única, como se o mundo fosse acabar no instante seguinte... Por esse motivo, confesso que nunca tive coragem de comer outro sagu, NUNCA, mas ainda que sem parâmetro para dizer isso, ainda que você o faça com um ótimo suco orgânico, integral, tente essa receita e depois me diga se não é uma das melhores coisas que você já comeu...

Com relação à receita, aviso que é segredo de família, então veja lá para quem você vai contar! O primeiro ponto é o tipo da uva; a minha tia denomina-as apenas de "uvas pretas", mas como ela me disse que as mesmas são pequenas, só aparecem no mercado no início do ano, principalmente em fevereiro, e que mancham os dedos - e tudo mais que estiver por perto! - creio que sejam as uvas Isabel.

Passada a pesquisa fiquei encucaca; como assim "só dá nos três primeiros meses" se eu como sagu na sua casa durante o ano todo? Por um momento achei que ela estivesse me enganando, mas não, acontece que ela é mais esperta do que eu e, no auge dos seus 81 anos, compra uvas no início do ano e congela o suco já pronto para poder preparar a sobremesa predileta da família o ano todo!

Outra pulga na orelha foi vê-la adicionando suco de uva comprado pronto; um belo suco de uva orgânico, mas um suco de uva COMPRADO... Gmpf... E mais uma vez eu desconfiei da minha tia, julgando não ser este necessário, mas ao omiti-lo suprimiu-se algo ácido da receita, e tive de me render - novamente - à voz da experiência... Não me espanto em pensar que as uvas de hoje são diferentes das que a minha bisavó usava... De qualquer forma, como é pedido, use o melhor suco que puder, sempre orgânico!

Em tempo, além de poder fazer o sagu durante o ano todo você também pode descongelar o concentrado, adicionar água e servir um belo suco de uva!


Sagu de uva [de verdade!!!] da tia Carlota

[1ª parte: concentrado de uva]

- 2 Kg de uva Isabel;
- 1 colher de sopa de açúcar;
- água.

Levar ao fogo com água suficiente para cobrir e esperar ferver; após, liquidificar e coar. Congele em potes de vidro.

Os 2 Kg de uva rendem, aproximadamente, 2,6 Kg de suco concentrado.

[2ª parte: preparação do sagu]

- 1 xícara de sagu;
- água;
- 1 xícara de suco de uva integral orgânico (o melhor que encontrar);
- 300g de suco caseiro concentrado (1ª parte );
- 2 xícaras de açúcar, aproximadamente.

Levar tudo ao fogo médio/baixo, mexendo de vez em quando até que a bolinha fique macia, não precisa esperar que fique completamente transparente. Verifique o açúcar e está pronto! Se ficar muito grosso após esfriar, adicione um pouquinho de água e mexa.


Sirva gelado, com ou sem creme; eu gosto dele assim, simples e delicioso, mas quem quiser pode fazer um creme básico com leite, gema, maisena, baunilha e açúcar.

OBS: Não preciso nem dizer que, por ser uma receita de família, minha tia faz tudo de olho fechado, logo não tem as medidas exatas, tampouco me deixou ficar medindo tudo, pois disse que basta ir experimentando e adicionando os ingredientes aos poucos; portanto, faça isso!

domingo, 22 de novembro de 2009

Alguns presentes de aniversário

Meu aniversário nunca é passado em branco; na falta de uma comemoração, tive três: uma junto com o aniversário da Lu -dia 11-, outro no próprio dia 16 e um particular, só para os ilustres fundadores do presente blog...

Ganhei esse lindo vaso de begônias da minha mamma; ela sabe que eu odeio buquês de flores, então já chegou dizendo que depois que elas caíssem eu poderia plantá-la no sítio... Como se alguém pudesse ficar chateada com um presente desses, mas com certeza irei plantá-la!

Minha sogrinha, recém chegada de Recife, além de me trazer dois vestidos, um chapéu e badulaques mil, também trouxe MUITO queijo de coalho, tamarindos, cajus frescos, doce de caju e castanhas de caju assadas no caco, maravilhosamente diferente dessa porcaria frita e salgada vendida por aqui...

Ainda com relação a presentinhos gastronômicos, ganhei algumas assadeiras da Ana & cia e ainda virão outros encomendados da Itália... "Tô" podendo, heim?!?

É claro que adorei todos os demais presentes; afinal de contas, nem só de comida vive o homem... OBRIGADA!!!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ovos de codorna e filosofia barata no balcão da cozinha...

Durante minha ida semanal à feira resolvi comprar alguns ovinhos de codorna... Eu devo estar muito nostálgica, pois nas últimas semanas tudo me lembra a minha infância, minhas avós... Esses ovinhos me lembram a minha mãe; apesar de ser uma médica maravilhosa e professora exemplar ela nunca deixou de nos agradar, e ovinhos de codorna eram redenção garantida após qualquer atraso! Não sei se causavam tanto furor quanto o primeiro xixi depois de comer beterraba, mas sim, eles eram disputadíssimos!

Apenas coloquei quatro ovinhos em uma panela com água fervente e deixei-os cozinhando por três minutos. Em uma ansiedade que não tinha tamanho, passei-os rapidamente pela água fria e coloquei-os no prato. Enquanto descascava o primeiro me lembrei das minhas mãozinhas tão pequenas, mas tão compenetradas fazendo esse trabalho; sempre fui perfeccionista, não gostava de rasgar a imaculada clara cozida durante o processo...

É engraçado crescer e ver que tudo o que você ouviu faz sentido; que todas as profecias entoadas por sua mãe realmente estão acontecendo e você tem de se curvar à vida... Ela sempre gostou e declamar para mim o famoso poema de John Donne, "nenhum homem é uma ilha isolada...", mas sempre tinha de pegar o livro do Hemingway para conseguir completá-lo; creio que por ter uma invejável mente para o trabalho, sempre acabava parodiando músicas e poemas... Mãe, não fique chateada e veja por outro lado, eu consigo cantar músicas de cabo a rabo, inclusive as que são da sua época de infância; posso declamar várias poesias, muitas delas ensinadas por você, mas para tantas outras coisas você sabe o quanto sou uma cabeça oca... Ninguém é perfeito, e como você me ensinou, ninguém é uma ilha isolada...

Por outro lado, percebo a insignificância da minha vida e dos meus temores perante a imensidão do mundo, e talvez isso traga um pouco mais de leveza na simplicidade de ser tão pouco, de saber que a vida é o que é, que "do pó vim e ao pó retornarei", que a vida é essa, é o agora, que "ninguém pode viver de ilusão", que "o sonhador precisa acordar"... É, eu sei que preciso acordar, mas são tantas coisas...

Ontem assisti "Cartas de Iwo Jima" e tive o mesmo sentimento de quando assisti "A "Queda"... Para uma pessoa Disney como eu é muito difícil imaginar uma situação tão limite como a guerra, tantas vidas sendo tratadas como grãos de areia... Nesses momentos ouço a voz da minha mãe e não me preocupo mais com a insignificância da minha existência; deixo esse sentimento egoísta de lado para, paradoxalmente, perceber o quão sou importante, o quanto a vida é importante... Não quero deixar de sentir o que sinto apenas porque as noticias terríveis são entoadas como do "cotidiano"... É difícil sopesar esse sentimento de tristesa profunda pelo mundo e de maturidade ao saber que você não o mudará chorando no seu quarto... É muito duro pensar que tantas pessoas não se perguntam por quem os sinos dobram; tampouco sabem que também dobram por elas...


Por fim, deixo com vocês o poema que tantas vezes ouvi em minha meninice (ok, deixarei o Bandeira para outro post...):

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

John Donne

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Bolo de cenoura e saudades da vovó Rachel...

Na semana passada resolvi fazer um bolo de cenoura, mas como não queria usar a receita de sempre peguei a receita de bolo de abóbora do lOliver - muito bom, diga-se de passagem - e fiz uma adaptação.

O resultado não ficou o que eu esperava... O bolo de abóbora é tão maravilhoso que fiquei com uma expectativa imensa. De qualquer forma, ele foi comido de várias formas durante a semana:

Acompanhado de sorvete de laranja e maple...

Ou apenas ao lado do café:
Engraçado, porque na semana passada estava me lembrando da minha avó Rachel praticamente todos os dias e acabei morrendo de rir ao me pegar molhando o bolinho na xícara de café; a vovó ADORAVA molhar o pão com manteiga no café com leite... Ela também adorava doce com salgado e sempre comia a torta de maçã antes do lanche quando íamos ao McDonald's. Não podia ver uma banana; se fosse quente e com canela ela não resistia mesmo!

Lembrei-me agora de outra coisa engraçada... Eu vivo dizendo que estou arrepiada e a vovó sempre falava isso quando algo a emocionava, fosse um filme ou uma música. Ela era uma mulher muito especial, uma artista maravilhosa, uma pessoa muito sensível e um ser humano como poucos que faz muita falta nas nossas vidas. Em todos os cantos do sítio sentimos a sua falta; o piano está triste e silencioso. Você era uma música nas nossas vidas...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Desejo infantil: brigadeiro cor-de-rosa

Na segunda-feira, enquanto fazia arrumação e limpesa na geladeira, olhei para um potinho muito pequeno, com dois dedos de leite consensado que sobraram de uma sobremesa que fiz às pressas no final de semana. Imediatamente me veio uma vontade louca de comer brigadeiro cor-de-rosa, vulgo bicho-de-pé (não gosto muito desse nome...).

Como vocês já podem imaginar eu fiz o tal brigadeiro, com os dois dedinhos de leite condensado, um pouquinho de quick e um nadinha de manteiga. Depois de levar ao fogo e adquirir o ponto acrescentei leite (a mesma medida de leite consensado) e voltei o brigadeiro ao fogo até a que adquirisse a consistência desejada.

Antes de finalizar esse post preciso agradecer ao tio Mauro, sem o qual não teria feito esse brigadeiro... Tudo começou em uma de suas viagens aos EUA em que fez algumas compras no supermercado para levar ao hotel e acabou levando o Quick sabor morango ao invés do chocolate. É claro que ele só percebeu isso depois de abrir o enorme pote de Quick, mas não teve muito tempo para ficar triste, já que imediatamente a Lu olhou para o pote e disse que eu adorava esse pozinho cor-de-rosa. Quando recebi o presente nem acreditei; que nostalgia... Há quantos anos não me deparava com isso... Na verdade eu nem tomo mais leite, mas fiquei muito feliz em recebê-lo, a ponto de ter tomado uma caneca enorme de leite rosa - a caneca também foi prsente. Não preciso nem dizer que não sou mais criança - ainda que às vezes ache que sim -, e acabei passando mal, graças a uma leve intolerância que me fez parar de tomar leite há muitos anos...

No final das contas, é claro que não me entupo de Quick todos os dias, pois sei que tem um milhão de ingredientes, conservantes e um monte de porcarias que tento evitar; entretanto, verdade seja dita -por mais que me doa dizer isso-, vira e mexe me dá uma saudade desse gostinho artificial de morango... E ele deixa o brigadeiro tão rosinha...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Doritos e molho à bolonhesa da mamma

Muitas das minhas lembranças de infância - para não dizer todas - são relativas à comida, e a maioria delas, ao lado do fogão... Desde que iniciei o blog tenho vontade de postar alguma receita da minha avó Lydia, que é a minha musa inspiradora, meu paradigma de esposa, mãe e avó; entretanto essa homenagem terá de esperar um pouco, mas trago a receita, ou melhor a lembrança gastronômica do molho à bolonhesa da minha mãe...

Digo que não é uma receita, mas uma lembrança, pois o melhor momento não era o da elaboração do molho, tampouco o da degustação do dito com a sua devida pasta... Minha mãe nos chamava, com um sorriso no rosto e aquele barulhinho peculiar de saco de salgadinho; comíamos o molho com Doritos! Parecia que estávamos fazendo alguma coisa errada; era o máximo!

Por muitos anos reclamei a falta do tal Doritos, pois no mercado circulavam apenas alguns com sabores muito fortes, que nunca me apeteceram muito. Tentei com nachos de outras marcas, mas nenhum era como o Doritos. Contudo, em uma bela madrugada, alguns dias atrás, saímos para ir ao supermercado; o Ebraim ficou no carro com a Cherry e eu subi para apanhar alguns mantimentos de última hora... Já me dirigindo ao caixa, qual não foi a minha surpresa: relançaram o Doritos tradicional!!! Eu fiquei tão feliz que tive de contar a história para um senhor que estava ao meu lado... Coitado, foi simpático, mas deve ter me achado uma louca!



Bem, é claro que ao adentrar no carro contei tudo para o Ebraim e, quando chequei em casa, munida do meu queridinho passe-vite e de alguns belos tomates, fiz um molho ao sugo... Ok, sei que tinha mencionado que o molho da minha mãe era à bolonhesa, mas era de madrugada, não havia carne descongelada no súper, tampouco na minha casa. Este teria de bastar!



Tenho de confessar que o Doritos não é o mesmo da infância... Talvez realmente não o seja, ou talvez eu esteja fantasiando todo um momento, mas o fato é que esse "Doritos dippas" não é o bom e velho Doritos... Mas também, minha cara, já se passaram quase vinte anos...




Como o Ebraim estava um pouco cético com a simplicidade da ceia, resolvi saltear um shitaki que estava na geladeira em um pouquinho de mateiga e cozinhá-lo, rapidamente, com shoyu e sake. Cuidado com o shoyu, ele é muito salgado!



Não foi o molho da minha mãe, mas só de saber que há um Doritos tradicional no mercado já me sinto aliviada! Agora é só comprar os ingredientes e prender a minha mãe na cozinha... Quando isso acontecer, obviamente postarei as fotos e a receita do seu maravilhoso molho...

domingo, 17 de maio de 2009

Comida de mãe, a melhor do mundo!

Em uma fria manhã de outono vejo as brumas se dissiparem e uma pequena embarcação surgir por entre elas... Minha querida bruxa decidiu acordar cedo no domingo e ir à feira; ainda não sei o que virá, mas com certeza, o resultado será inefável...


Ok, que "comida de mãe é a melhor do mundo" não é novidade; o raro é eu comer essa iguaria, já que é praticamente impossível fazer a minha mãe sair do meio dos seus adorados livros e voltar para a terra firme. Entertanto, para a minha surpresa, quando cheguei a sua casa ela se preparava para iniciar a magia... Todos os ingredientes estavam separados em suas devidas proporções, as cebolas estavam sendo minuciosamente cortadas, e eu me aprontei para anotar cada detalhe da poção...

Caldeirada de lula com batata

- 4 cebolas grandes
- 8 dentes de alho
- 7 tomates maduros
- 2 maços de salsinha

- 2 maços de cebolinha

- 1,5 Kg de lula limpas e cortadas em rodelas
- 3 batatas médias
- sal q.b.
- pimenta do reino
- azeite q.b.

- 2 xícaras de arroz


Essa caldeirada é uma receita espanhola, trazida de lá pelo meu querido tio Alberto - o eterno Tião Gavião -e passada a minha mãe pela tia Neusa, sua esposa.

Refogue, em uma panela de pressão, a cebola em cubinhos e o alho espremido em um pouco de óleo. Quando a cebola estiver translúcida, coloque os cubinhos de tomate, já devidamente pelados e sem as sementes. Refogue por mais alguns minutos até que ele comece a se desfazer. Adicione as folhas da salsinha e a cebolinha, ambas picadas, as lulas, o vinho, o sal e tampe a panela de pressão. Depois que a panela pegar pressão, calcule 10 minutos; após, tire a pressão da panela colocando-a sob a água da torneira.


Adicione as batatas descascadas e cortadas em cubos de aproximadamente 2 cm³, tampe a panela e, após a panela pegar pressão, conte 8 minutos. Tire novamente a pressão da panela, verifique o sal e adicione as folhas da salsinha, picadas no tamanho que desejar.

Se você não for servir entrada, essa quantidade de lula serve 4 pessoas, com direito a repeteco ; do contrário, serve 5. Outrossim, o tamanho da panela também é relevante. Tendo em vista que o prato é bastante caudaloso, o ideal é usar uma de 6 litros. Fiz o arroz de uma forma um pouco diferente da tradicional, cozinhando-o como se fosse uma massa. Fervi uma boa quantidade de água com sal e joguei o arroz já lavado. Deixei-o cozinhar até que ficasse al dente, escorri a água, coloquei-o sobre a água da torneira para que parasse o cozimento e reservei-o. Quando faltavam 2 minutos para o cozido ficar pronto, aqueci um pouco de azeite e dei uma fritadinha no arroz, apenas para esquentá-lo. Adicionei um pouco de sal, e pronto! Após montar o prato finalizei-o com um fio de azeite, pimenta do reino e algumas folhinhas de salsinha.

Algumas considerações antes de revelar a magia final... Sempre que algum prato de frutos do mar pede arroz, eu uso o de Jasmin, com ou sem leite de coco, dependendo da receita. Entretanto, como na casa da minha mãe só tinha o velho Tio João parboilizado, não tive para onde correr. Tenho de dizer, entretanto, que o resultado ficou bem harmônico, principalmente pela textura e pelo fato do arroz estar sem os temperos tradicionais. Por fim, sempre que eu olho para essa receita tenho vontade de picar uma dedo de moça e refogá-la junto com a cebola, mas a mamma não suporta pimenta, então continuo na expectativa...

Eu cometi um erro terrível ao clicar na foto abaixo para vê-la em tamanho original... Dá vontade de morder a tela!


Como já havia adiantado, não há palavras para descrever; todos nos refestelamos...

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