sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Desespero por um docinho...

Modestos morangos com um restinho de chanilly e um quadradinho de chocolate 80%... Simples, mas matou a vontade... OK, mais ou menos...

Conchiglioni recheado ao molho de queijos














Resolvi fazer a receita de "canelone de couve-flor e brócolis" do livro do Oliver ("Jamie em casa"); entretanto, troquei o canelone por conchiglioni, omiti as anchovas e adaptei o molho, na vã tentativa de que o marido comesse... Ledo engano! Não pensem com isso que o prato não ficou bom; pelo contrário, ficou ótimo, mas o Ebraim tem um sério problema com o que ele denomina de "molho branco"... Eu disse pra ele que não era molho branco, mas um "fondue" sobre a massa... Não colou! Mas ele fez a sua parte; experimentou, comeu o que eu lhe servi, mas pela cara de nojo sei que sua boa vontade não estará presente na próxima...

Acabei socializando o prato dando um pouco para a minha querida vizinha e levando o resto para a casa da minha mãe; todas adoraram, então não fiquei tão chateada!

Conchiglioni recheado de couve-flor e brócolis
(adaptado do livro Jamie em casa)

- uma caixa de conchiglioni
- ½ maço de brócolis limpo e em pedaços pequenos
- ½ maço de couve-flor limpa e em pedaços pequenos
- azeite
- 6 dentes de alho fatiados finamente
- um punhado de folhas de tomilho fresco
- 2 pimentas dedo de moça cortadas em cubinhos (retire a maioria das sementes)
- sal
- pimenta do reino
- mussarela suficiente para cobrir a massa
- parmesão suficiente para cobrir a massa

Preaqueça o forno a 200º.

Prepare os conchiglioni em uma panela grande com água e sal até que fiquem quase prontos; como serão recheados e irão para o forno, é necessário que estejam consistentes e inacabados. Reserve a massa.

Coloque bastante água com sal em uma panela grande; quando ferver, coloque o brócolis e a couve-flor para cozinharem por 5/6 minutos. Passe-os por um escorredor reservando uma concha da água do cozimento.
Aqueça dois fios de azeite em uma frigideira larga e refogue o alho; adicione o tomilho e a pimenta tomando cuidado para que o alho não queime. Coloque a couve-flor, o brócolis e a água reservada, deixando que eles cozinhem por aproximadamente 15 minutos com a panela tampada. Após esse tempo, verifique se a textura já está adequada, lembrando-se que esse será o recheio da massa, logo deve estar leve e uniforme. Se já estiver OK tire a tampa e deixe que a água restante evapore e desligue o fogo. Jamie recomenda que se utilize um amassador de batatas para esmagar os vegetais; eu apenas dei uma amassada geral com a espátula para evitar mais louça suja... Prove o recheio acertando o sal e a pimenta-do-reino. Espalhe o recheio em um refratário pra que esfrie.

Na receita de Jamie são utilizados dois molhos; um de tomates (embaixo) com um toque de vinagre de vinho tinto, e um branco sobre os canelones já recheados. Fiz apenas um molho de queijo bem simples.

Molho de queijo

- 1 cebola em cubinhos
- 1 colher (sopa) de manteiga
- 2 colheres (sopa) de farinha
- leite (não anotei a quantidade...)
- noz moscada
- castanha de caju quebrada, para salpicar antes de servir

Refogue a cebola em cubinhos até que fique translúcida; coloque a farinha para que frite um pouco e adicione o leite aos poucos, mexendo constantemente com um fue para que não empelote. Se isso acontecer, não se preocupe, bata tudo no liquidificador e volte à panela para que chegue è textura desejada. Após, tempere com bastante noz moscada e reserve.

Recheie os conchigliones, salpique mussarela, cubra com o molho e finalize com uma generosa camada de parmesão. Leve ao forno preaquecido até que o queijo gratine. Salpiquei algumas castanhas de caju quebradas na hora de servir.

Macarrão rápido com shitake

Outro almoço rápido e delicioso. Coloquei água com sal para ferver em uma panela grande e preparei 80g de massa. Quando esta já estava quase pronta, refoguei rapidamente um alho poró picado em um fio de azeite e salteei shitakes filetados; quando achei que já estavam a contento, adicionei 3 colheres de sopa de sakê e a massa. Mexi mais um pouco, passei a massa para o prato, moi um pouco de pimenta do reino e ralei parmesão. Ufa... Cebolinha combinou muito bem, pena que eu só tinha uma...

Salada maravilhosa!


Piquei grosseiramente folhas de chicória e de radíchio, fatiei dois rabanetes e acomodei no prato duas folhas de endívia. À parte fiz um molho bem simples com uma colher de chá rasa de mostarda e um pouquinho de água, apenas o suficiente para formar um molho. Reguei a salada com o molho e um fio de azeite, adicionei alguns pedacinhos de gorgonzola e de castanha do Pará... Ficou espetacular!!!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Macarrão rápido com restos da geladeira...

Almoço rápido e tecos de verduras na geladeira implorando para serem usados? Sem problema; coloquei água com sal para ferver em uma panela grande e preparei 80g de massa. Em paralelo, refoguei rapidamente tequinhos de alho poró, berinjela, abobrinha e tomate em um fio de azeite e desliguei o fogo. Escorri o macarrão reservando um pouco da água do cozimento e coloquei-o na frigideira dos refogados. Misturei tudo, adicionei um ovo ligeiramente batido, folhas de manjericão e um pouco da água do cozimento. Finalizei com parmesão, um fio de azeite e pimenta do reino. Bom, bonito e barato! RS...

Almôndegas de shitake

Quando não quero correr o risco de desagradar o Ebraim faço algum prato com shitake; desde que não coloque molho branco, a aceitação será garantida! Por esse motivo, sempre que vou à Liberdade compro um saco enorme de shitakes secos e saio à procura de novidades gastronômicas...


Desde que o tio Mauro me trouxe a batedeira dos sonhos

e seus acessórios, morro de vontade de usar o súper moedor de carne; entretanto, como esse é um item

inexistente em casa comecei a procurar receitas para tentar adaptá-las com outros ingredientes... O shitake foi o primeiro que me veio em mente, pois a idéia de colocar peixe no moedor não me agradou nem um pouco...


Encontrei uma tentadora receita de almôndegas no Livro Essencial dos Aperitivos e substitui a carne pelos cogumelos; apesar de gostosas as almôndegas de shitake não foram rotuladas como “receita definitiva”. Tempos depois, bisbilhotando um blog que adoro, encontrei exatamente a receita que procurava. Muito mais habilidosa do que eu, a Ana adicionou louro aos temperos e compensou a falta da gordura da carne com cubinhos de manteiga gelada... PERFEITO!!!


Na receita da Ana são usados cogumelos variados e frescos, picados ou processados. Como queria usar o moedor, não preciso dizer que pulei essa parte e aproveitei para moer outros ingredientes; depois que você começa a empurrar ingredientes no moedor é difícil parar! Gostei TANTO dessa história que pedi para o Ebraim filmar o processo:



Servi as almôndegas acompanhadas de molho de pimentões e salada. Vou postar a receita do modo que a preparei, mas vocês podem conferir a receita da Ana e seu delicioso texto nesse post.


Almôndegas de shitake

- 1 cebola

- 1 folha de louro

- 2 colher (sopa) azeite de oliva extra virgem

- 2 dentes de alho

- 100g de shitake seco

- 1/2 xícara pão amanhecido despedaçado

- 1/2 xícara leite

- 1 ovo grande

- 1/3 xícara de queijo parmesão ralado na hora

- ramos de tomilho fresco

- 2 colheres (sopa) de manteiga bem gelada em cubinhos de 0,5 cm

- farinha de rosca, se necessário

- 1 colher (chá) rasa de sal (não adicionei)

- pimenta-do-reino moída na hora, a gosto

- 1 fio de azeite para fritar as almôndegas


Hidrate os cogumelos em água quente e esprema-os. Para ter uma noção de proporção pesei-os após esse processo e obtive 280g; como a receita da Ana pede 350g cogumelos frescos creio que posso adicionar um pouco mais da próxima vez.

Muito ansiosa para usar o meu moedor novo, facilitei bastante o processo e coloquei o shitake, a cebola e o alho para serem moídos juntos. Aqueci um pouco de azeite em uma frigideira grande, adicionei o louro e o shitake moído e refoguei até que não saísse mais vapor. Transferi a mistura para uma tigela, retirei a folha de louro e deixei que resfriasse um pouco.

Em uma tigela pequena, pique o pão em pequenos pedaços e cubra com o leite; deixe descansar por 5 minutos e esprema-o bem. Descarte o leite e adicione o pão à mistura juntamente com o parmesão, as folhas de tomilho, a pimenta-do-reino e o sal (se achar que este é necessário); acrescente o ovo batido e misture tudo até que o resultado fique homogêneo.

Por fim, junte a manteiga gelada e, se o resultado for muito molenga, acrescente farinha de rosca até firmar. Usei um punhado de uma farinha de rosca bem granulada, que ganhei do tio Mauro.

Molhe as mãos em água fria e forme bolinhas de 5cm de diâmetro; frite-as em uma frigideira ante-aderente com um fio de azeite até que fiquem douradinhas. A Ana obteve cerca de 18-20 almôndegas; eu não contei o rendimento.



Molho de pimentões e pimenta (adaptação do m'hammara)


- 3 pimentões vermelhos

- 3 pimentas dedo de moça

- 1/2 xícara de pignoli

- 3 dentes de alho (pequenos)

- 3 colheres de sopa de azeite

- 3 colheres de tahine

- sal a gosto

- noz moscada ralada a gosto

Assar os pimentões e as pimentas em uma grelha, sobre o fogo, até que a pele fique queimada; transfira-os para uma tigela e feche-a com papel filme. Esse processo facilita a etapa seguinte, da retirada da pele. Sempre leio para colocá-los em um saco, mas essa idéia não me agrada... Depois de pelá-los e retirar as sementes, leve-os ao liquidificador com os outros ingredientes. Esse molho vira uma bela sopa se adicionarmos molho de tomate e caldo de legumes!


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ovos de codorna e filosofia barata no balcão da cozinha...

Durante minha ida semanal à feira resolvi comprar alguns ovinhos de codorna... Eu devo estar muito nostálgica, pois nas últimas semanas tudo me lembra a minha infância, minhas avós... Esses ovinhos me lembram a minha mãe; apesar de ser uma médica maravilhosa e professora exemplar ela nunca deixou de nos agradar, e ovinhos de codorna eram redenção garantida após qualquer atraso! Não sei se causavam tanto furor quanto o primeiro xixi depois de comer beterraba, mas sim, eles eram disputadíssimos!

Apenas coloquei quatro ovinhos em uma panela com água fervente e deixei-os cozinhando por três minutos. Em uma ansiedade que não tinha tamanho, passei-os rapidamente pela água fria e coloquei-os no prato. Enquanto descascava o primeiro me lembrei das minhas mãozinhas tão pequenas, mas tão compenetradas fazendo esse trabalho; sempre fui perfeccionista, não gostava de rasgar a imaculada clara cozida durante o processo...

É engraçado crescer e ver que tudo o que você ouviu faz sentido; que todas as profecias entoadas por sua mãe realmente estão acontecendo e você tem de se curvar à vida... Ela sempre gostou e declamar para mim o famoso poema de John Donne, "nenhum homem é uma ilha isolada...", mas sempre tinha de pegar o livro do Hemingway para conseguir completá-lo; creio que por ter uma invejável mente para o trabalho, sempre acabava parodiando músicas e poemas... Mãe, não fique chateada e veja por outro lado, eu consigo cantar músicas de cabo a rabo, inclusive as que são da sua época de infância; posso declamar várias poesias, muitas delas ensinadas por você, mas para tantas outras coisas você sabe o quanto sou uma cabeça oca... Ninguém é perfeito, e como você me ensinou, ninguém é uma ilha isolada...

Por outro lado, percebo a insignificância da minha vida e dos meus temores perante a imensidão do mundo, e talvez isso traga um pouco mais de leveza na simplicidade de ser tão pouco, de saber que a vida é o que é, que "do pó vim e ao pó retornarei", que a vida é essa, é o agora, que "ninguém pode viver de ilusão", que "o sonhador precisa acordar"... É, eu sei que preciso acordar, mas são tantas coisas...

Ontem assisti "Cartas de Iwo Jima" e tive o mesmo sentimento de quando assisti "A "Queda"... Para uma pessoa Disney como eu é muito difícil imaginar uma situação tão limite como a guerra, tantas vidas sendo tratadas como grãos de areia... Nesses momentos ouço a voz da minha mãe e não me preocupo mais com a insignificância da minha existência; deixo esse sentimento egoísta de lado para, paradoxalmente, perceber o quão sou importante, o quanto a vida é importante... Não quero deixar de sentir o que sinto apenas porque as noticias terríveis são entoadas como do "cotidiano"... É difícil sopesar esse sentimento de tristesa profunda pelo mundo e de maturidade ao saber que você não o mudará chorando no seu quarto... É muito duro pensar que tantas pessoas não se perguntam por quem os sinos dobram; tampouco sabem que também dobram por elas...


Por fim, deixo com vocês o poema que tantas vezes ouvi em minha meninice (ok, deixarei o Bandeira para outro post...):

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

John Donne

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